HISTÓRIA DOS BAIRROS

02/04/2019

Antes do loteamento já tinha a Olaria dos Brugnera

Por Pedro Carlos Brugnera

Meu avô, Pietro Brugnera, nasceu em 1873, em Castelfranco Veneto, província de Treviso, no norte da Itália, filho de Ângela Marcolin e Sante Brugnera. Creio que após completar a maioridade foi para a Alemanha, onde conheceu Arturo Martinelli e os dois resolveram vir para o Brasil. Ao chegarem, montaram uma olaria, ou seja, uma fábrica de tijolos e de outros objetos de argila, como telhas e manilhas. Ficaram sócios por cerca de cinco anos, quando ele conheceu Santina Carducci, que morava com sua família na Lapa, e casou-se com ela no cartório do Brás, no dia 31 de dezembro de 1897.

Ela era filha de Zacapaz Carducci e Stella Persuoro, tendo na época 17 anos. Ao nascer o primogênito do casal, Gino, eles foram à Itália a passeio, onde nasceu outro filho, Ettore - após cerca de três anos retornaram ao Brasil, sendo que o terceiro filho, Bruno quase nasceu no navio. Aqui, meu avô não teve como retomar a sociedade com o senhor Martinelli, mas foi contratado pela Cia.Vidraria Santa Marina para formar uma olaria e fornecer tijolos para a construção da fábrica - essa olaria foi montada nas terras da família Monteiro, mais precisamente no fundos da casa que ainda existe na Avenida Santa Marina, e hoje abriga o Instituto Rogacionista, em frente à Vidraria Santa Marina.

Em 1912-1913, meu tio Ettore, foi mandado para a Itália, pois estava com problema na visão e foi aconselhado, como era de costuma na época, a "mudar de ares" - e parece que surtiu efeito, pois já no navio de ida, sua visão clareou. Na Itália, em Castelfranco, foi morar com uma das tias-irmãs do seu pai e, como dizem, se tornou um 'bom vivant' sem trabalhar e vivendo da mesada enviada pelo pai – por isso o meu avô resolveu trazê-lo novamente para o Brasil e o colocou para trabalhar no olaria, que ficava nas proximidades da atual TV Cultura, na Água Branca. Ele, enfim, se tornou um grande conhecedor da areia da mistura adequada de argilas para a produção de tijolos, que tornaram a marca "P*B" – que se tornou famosa.

Na década de 1920 meu avô comprou terras na região de Taipas, próximo à estação Jaraguá, mais precisamente do lado esquerdo da estrada de ferro Santos-Jundiaí para quem vai em direção ao interior, e o os tijolos eram transportados pelo trem. A olaria, estava indo bem, mas aí aconteceu a depressão de 1929 - quebra da bolsa de Nova Iorque – e os negócios estacionaram e até regrediram. O meu avô não teve como honrar os compromissos, e devolveu as terras para quitar as dívidas.

Somente em 1938-1939, minha família comprou a gleba de nº 17, do loteamento da Vila Itaberaba, registrada sob nº 4 no registro de imóveis da 2ª circunscrição e até hoje registrada nos mapas como Vila Itaberaba [embora o local seja oficialmente Vila Brasilândia], compreendida entre as ruas Servidão Pública, atual Estrada Lazaro Amâncio de Barros, Rua "L", atual Ministro Washington de Oliveira, Rua "K", atual Nereu Rangel Pestana, e aos fundos ficava o córrego do Pirizá, atualmente chamado de Rio das Pedras.

Enquanto isso meus tios Armando Brugnera e Ettore Brugnera limpavam e preparavam o terreno recém-comprado, meu pai na época estava estudando e não participou da formação do olaria e meu avo viajou para a Itália sozinho, em visita às irmãs, isto no segundo semestre de 1939, logo depois estourou a segunda guerra mundial e ele foi impedido de retornar ao Brasil. Lá ficou doente e faleceu em 7 de junho de 1941, dois anos após sua chegada em Castelfranco, Veneto.

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Pesquisa realizada pelo editor do Freguesia News sobre artistas do passado encontrou um pintor italiano que viveu na Cidade, Felisberto Ranzini (Brazilian, 1881–1965), que pintou pelo menos quatro temas na região: Ponte grande sobre o Rio Tietê , 1941 ; Rio Mandy - Freguesia do Ó; Ponte da Casa Verde e Igreja, 1910; Ponte Sobre o Rio Tiete, Estrada da Freguesia do Ó, 1918.   leia mais...

Tem quem pergunte por que a Av. Santa Marina tem dois pedaços sem nenhuma conexão, um na Água Branca, outro na Freguesia do Ó? Simplesmente porque se trata da mesma via, que foi separada quando da retificação do Rio Tietê e construção das Marginais nos anos 60.   leia mais...

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