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Agência Minas Gerais | Com mais de cinco décadas de história, Fundação de Arte de Ouro Preto aposta na ampliação e descentralização de ações

Dom 12 novembro 2023 07:30 atualizado em Sex 10 novembro 2023 18:41

Com mais de cinco décadas de história, Fundação de Arte de Ouro Preto aposta na ampliação e descentralização de ações

Instituição já está presente também em Paracatu e Guaxupé; outras quatro localidades vão sediar atividades da Faop

Sextas Abertas – Crédito: Faop / Divulgação download da imagem

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Com mais de cinco décadas de história, Fundação de Arte de Ouro Preto aposta na ampliação e descentralização de ações

No dia 25 de novembro, a Fundação de Arte de Ouro Preto (Faop) celebrará 55 anos. São mais de cinco décadas contribuindo para a difusão, formação artística e técnica, sendo esta voltada para a preservação do patrimônio de Minas Gerais e do Brasil. O primeiro curso de formação de conservadores e restauradores do país foi oferecido pela Faop, e, desde 2021, esse conhecimento tem chegado a mais cidades mineiras, a partir das ações de descentralização empreendidas pelo Governo de Minas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Turismo e Faop, em parceria com os municípios. 

Pela primeira vez em sua história, a instituição possui sede em duas cidades, além de Ouro Preto. A primeira foi inaugurada em Paracatu, em 2021, e a mais recente, em outubro deste ano, em Guaxupé, sendo instalada no edifício histórico onde funcionou a antiga cadeia pública. “Uma cadeia transformada numa fundação de arte que terá como objetivo promover a educação e a formação artística. Isso significa muito, representa um sonho antigo da cultura, que reúne demandas de toda a comunidade. O objetivo é descentralizar, levar artes e escolas também para o interior. Quando a Faop vai para o interior, leva Ouro Preto, leva a mineiridade e abraça as Gerais”, celebra o secretário de Estado de Cultura e Turismo, Leônidas de Oliveira. 

E mais quatro localidades vão sediar as atividades da Faop em 2024: Belo Horizonte, no Circuito Liberdade; Santa Luzia, na Região Metropolitana de BH; Congonhas; e Antônio Pereira, distrito de Ouro Preto. 

Presépio Brasil Mineiro / Crédito: Faop Divulgação

 

Em outubro deste ano, a Faop inaugurou a exposição “Patrimônio Vivo – Cultura e Tradição” no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-BH), no Circuito Liberdade, proporcionando ao público uma imersão no ambiente de um ateliê de restauro. A partir do dia 30/11, um acervo de 50 presépios será exposto no CCBB, onde também poderão ser vistas obras de ex-alunos e professores da casa.

“A Faop é uma das instituições públicas de arte e educação mais importantes do nosso país. Neste momento em que comemoramos 55 anos, consolidamos os valores, as missões que a instituição leva por mais de meio século. Agora trabalhamos ainda mais pela descentralização, para que nossa Fundação de Arte de Ouro Preto seja, de fato, de todos os mineiros”, declara o presidente da Faop, Jefferson da Fonseca. 

Curso de Restauração e Reparo / Crédito: Felipe Barboza

Acesso à cultura e qualificação profissional

Ao descentralizar suas ações, a Faop contribui para ampliar o acesso à educação, à cultura, e estimular a qualificação profissional, o que assegura a existência de técnicos aptos a lidar com o grande acervo de patrimônio existente no estado. Além disso, a iniciativa cria oportunidades de geração de emprego e renda. 

Daniele Eva Cota Coluna, que se formou em agosto, no Curso Técnico em Conservação e Restauro, oferecido em Ouro Preto, atualmente, trabalha na área. “O curso é muito bom, muito completo. Dá toda a bagagem teórica e prática para o aluno saber pegar uma obra do zero, mexer com a obra, saber o porquê a gente vai restaurar”, relata.

O curso já qualificou mais de 400 profissionais desde 2002. Mateus França Sampaio Santos, que estuda na Faop, ressalta que já vem aplicando os conhecimentos adquiridos em sala de aula e em laboratório. “Sendo um ouro-pretano, o patrimônio já está intrínseco no nosso dia a dia. Sempre vi o restauro, mas nunca tinha pensado em fazê-lo. Até que começou um trabalho em uma igreja próxima à minha casa e eu fiquei apaixonado. Entrei na Faop para conseguir embasamento e poder trabalhar. A carreira foi uma das principais coisas que a Faop me trouxe”, declara o aluno.

A Faop restaurou mais de 2 mil obras desde 2002, e, entre 2021 e 2023, desenvolveu ações em 80 municípios de todas as regiões do estado, chegando a mais de 40 cidades apenas em 2023. De 2019 até o presente, o Governo do Estado investiu R$ 16 milhões na Fundação. 

Faop – Guaxupé

Em Guaxupé, as atividades começaram em 2021, com o apoio à realização do Concurso Regional de Presépios.“A importância da chegada da Faop à cidade é enorme. Guaxupé passou a ter a maior fundação de artes do Brasil. Ter a Faop aqui significa trazer a arte que se produz em Ouro Preto e em Minas Gerais para nossa região. É trazer o artesanato, a arte dos ofícios, é produzir e capacitar mais pessoas no viés de restauro”, diz o secretário de Cultura, Esporte e Turismo de Guaxupé, Marcos Alexandre Costa Buled.

A capacitação é o foco da unidade, que formou 31 jovens em sua primeira turma do Programa Pipa Jovem. Ministrado para adolescentes de 15 e 16 anos participantes do Programa Juventude Positiva (PJP), realizado pela prefeitura, o curso ensinou técnicas de desenho e pintura, além de oferecer formação para atuar como auxiliar de conservação de bens culturais para jovens em vulnerabilidade social. 

Faop – Paracatu

A experiência da Faop em Paracatu completou dois anos, contribuindo para valorizar o legado patrimonial da cidade que tem 600 edificações tombadas. “A instalação da Faop aqui  contribui para que possamos aprofundar ainda mais os nossos conhecimentos de preservação e restauração, tanto do nosso bem material quanto imaterial”, avalia o secretário de Cultura e Turismo de Paracatu, Igor Araújo Diniz, para quem a cidade avançou com a presença da Fundação. “Ganhamos muito com a Faop em nossas terras, principalmente no fortalecimento da política pública de restauração e conservação. Afinal, estamos falando de uma instituição que possui mais de 50 anos de experiência nesse trabalho”, completa.

Cursos livres

Além da formação Técnico em Conservação e Restauro, a Faop, por meio do Núcleo de Arte e Ofícios, oferece 45 cursos livres, como musicalização, artes plásticas, violão, cerâmica, desenho, bordado, estamparia, xilogravura, encadernação artesanal, entre outras.

São aulas gratuitas, abertas à comunidade e para diferentes faixas etárias. Em Ouro Preto, a unidade recebe cerca de 300 alunos por semestre e já formou 7.200 pessoas nos cursos livres nos últimos 12 anos. 

O Núcleo de Arte também realiza o projeto Sextas Abertas desde 2016. Uma vez por mês a unidade abre suas portas com uma programação diversa, com oficinas, shows, rodas de conversa, pintura ao vivo e outras atrações culturais.

Difusão cultural

A Faop também possui a Galeria de Arte Nello Nuno, espaço dedicado a exposições gratuitas. 

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