O Reviva Pampulha completa nesta sexta-feira (28/3) dois anos da homologação pela Justiça Federal do plano que objetiva a preservação da lagoa símbolo de Belo Horizonte. Em parceria com as prefeituras de BH e Contagem, a Companhia de Saneamento de Minas Gerais (Copasa), tem, desde então, mirado esforços em garantir saneamento aos moradores da bacia, evitando o lançamento de esgoto in natura na lagoa com investimentos que totalizarão mais de R$ 146 milhões.
No plano de ação, a Copasa é responsável pelas obras de infraestrutura necessárias para a interligação dos 9.759 imóveis factíveis e potenciais da bacia ao sistema de esgotamento sanitário. BH e Contagem, por sua vez, têm um papel importante na notificação dos moradores que se recusarem a aderir às redes disponíveis, bem como nos processos de desapropriação e licenciamento ambiental que se fizerem necessários para a implantação da infraestrutura da Copasa. De acordo com dados do relatório trimestral mais recente, 44% das quase 10 mil ligações planejadas já foram concluídas.
Recentemente, a companhia iniciou os trabalhos de ampliação das redes de água e de esgoto em 30 comunidades de Contagem, etapa mais relevante do ponto de vista social, que vai eliminar o lançamento irregular de esgoto de cerca de 1.300 famílias, beneficiando mais de 18 mil pessoas na região. Os trabalhos de interligação dos imóveis à rede de água e de esgotamento sanitário estão em andamento na comunidade Bela Vista. Residencial ou social, as ligações de água e de esgoto estão sendo feitas sem ônus para o morador. Inclusive, está a cargo da Copasa construir o ramal interno de esgoto.
O gestor de Empreendimento de Grande Porte da Copasa, Tiago Miranda, destaca que mais de 99% da população da bacia da Pampulha já conta com o tratamento de seu esgoto.
“Com início das obras de interligação dessa etapa, que tem maior complexidade técnica, alcançaremos um número ainda maior dos esgotos coletados e tratados pela Copasa”, garantiu.
Além das obras, a Copasa tem desenvolvido um trabalho de mobilização social de porta em porta explicando aos moradores a importância da adesão à rede de esgoto e seus benefícios tanto para a saúde da população quanto para o meio ambiente.
Nesses primeiros dias de ação nas Áreas de Interesse Social, a Copasa já conseguiu a adesão de 96%, sendo que apenas 4% se recusaram a aderir à rede neste momento.
Experiência positiva
Morador do primeiro imóvel a ser beneficiado com a regularização da ligação de água e do lançamento do esgoto dentro da comunidade Bela Vista, João Victor declarou estar muito satisfeito com a ação da Copasa.
“Estou me sentido privilegiado com o fato do meu imóvel ser o ponto de partida de um trabalho muito importante, que trará mais comodidade e que também contribuirá para a qualidade de vida de toda a comunidade”, expressou.
Junto ao trabalho de conscientização, as equipes socioambientais vêm orientando os moradores sobre os procedimentos para obtenção da tarifa social, benefício da Copasa que concede um desconto de até 50% nas contas de água e esgoto às famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais do Governo Fderal (CadÚnico), com renda per capita de até meio salário mínimo.
Na avaliação da coordenadora do projeto nas áreas consideradas de Interesse Social (AIS), Cássia Nascimento, do consórcio Revitaliza Pampulha, parceiro da Copasa, essa etapa de conscientização dos moradores das comunidades, foi fundamental para o início dos trabalhos.
De acordo com Poliana Café, coordenadora de campo, além do trabalho das equipes socioambientais, a mobilização nas AIS contou com o apoio dos líderes comunitários, que foram fundamentais para estabelecer uma relação de confiança dos moradores das comunidades com a Copasa, como Janízio Jardim de Oliveira, da Bela Vista.
“São eles que abrem as portas das comunidades para nós”, observou a coordenadora.
Morador há mais de 40 anos, Janízio elogiou o trabalho iniciado pela Copasa em sua comunidade. Ele contou que viu pessoas sofrerem com o refluxo de esgoto em seus imóveis, por falta de local adequado para fazer o lançamento correto do esgotamento.
“Por isso, considero que, além ajudar na despoluição da Lagoa da Pampulha, essa ação é muito importante, pois traz dignidade para as famílias do Bela Vista e de outras comunidades”, declarou o líder comunitário.
Depois da comunidade Bela Vista, as obras de interligação terão sequência em Alvorada, Avenida II/Colorado, Bambu Verde, Beatriz, Boa Esperança, Boa Vista, Boa Vista/Gangorras, Bonanza, Capelinha, Carajás, Estação Bernardo Monteiro, Francisco Mariano, Floriano Peixoto, Gangorras, Jardim dos Bandeirantes, Kennedy, Morro dos Cabritos, Nacional, Novo Boa Vista DNIT, Novo Progresso, Oitis, Padre Dionísio, Perobas, São Sebastião, Senhora da Conceição, Sequoia/Teleférico, Tenente Castorinho, Urca, Urca/Santa Luzia e Xangrilá.
Plano de ação
Entre as atividades desenvolvidas pela Companhia estão a mobilização social, a conscientização e educação ambiental, obras de melhorias operacionais, monitoramento de qualidade das águas dos córregos e garantia da continuidade da prestação de serviço de esgotos.
Também integram o plano, vistorias do Programa de Recebimento de Efluentes não Domésticos (Precend), inspeção e correção de lançamentos de águas pluviais nas redes coletoras e o tratamento das águas dos córregos Ressaca e Sarandi por meio da ETAF Pampulha (Estação de Tratamento de Águas Fluviais).
Da mesma forma, nos locais onde ainda não foi possível a construção das redes coletoras, a Copasa instalou tomadas de tempo seco, dispositivos responsáveis por coletar as águas dos córregos, em dias sem chuva, e direcioná-las para tratamento na ETE Onça.